Com o fim da Guerra Fria, o mundo deixou de ser bipolar e passou a ser globalizado. Nessa época, os meios de comunicação já estavam tão desenvolvidos que, conhecer outras culturas, deixou de ser possibilidade para ser necessidade. Com o passar dos anos, ela começou a exigir mais e em um espaço menor de tempo, coisas para as quais os livros não estavam preparados. Nesse mesmo período, começou a se popularizar as duas criações que iriam mudar a história da humanidade: o computador pessoal e a internet.
Diferente dos livros e revistas, a internet tem uma grande quantidade de informações ao alcance de um clique. Sites que funcionam com o conceito wiki, á exemplo do Wikipédia, funcionam como verdadeiras bibliotecas. Entretanto, com a vantagem de ter uma capacidade ilimitada para armazenar informações. Soma-se a isso a possibilidade de atualizá-las a todo momento. O problema é que passamos a utilizá-la da forma errada.
Na sua versão 2.0, a web viu surgir dentro dela os sites de relacionamentos e compartilhamento de vídeos. Foi aqui que as coisas começaram a sair dos eixos. Qualquer pessoa, repito, qualquer pessoa passa a ter, ao alcance de um clique, a chance de ser famosa. Sabe a sua secretária que se acha a Joelma do Calypso? Tá lá. E aquele seu primo gordo que faz gordice? Tá lá também. A sua filha disse que vai dormir na casa da amiga? Relaxa, amanhã você vê e revê o vídeo dela vomitando e pegando todos na festa. Tudo o que as pessoas fazem elas querem que os outros saibam e vejam. Claro, não adianta só falar se não pode provar. Claro que tudo isso é engraçado, com exceção da sua filha, mas quem de nós diria que algo ali daria errado? Pois deu.
No começo, as gravadoras separavam o joio do trigo, decidiam quem era bom e acolhido pelo público e investiam neles. Com a inclusão digital e a internet 2.0, as coisas mudaram, as bandas começaram a colocar músicas suas nela e as pessoas começaram a dizer o que era bom e o que era ruim. Dessa forma, as gravadoras passam a saber o que irá e o que não irá dar retorno. Porém, nem tudo que dá lucro presta. Essas bandinhas coloridinhas são a prova disso tudo.
Sem os sites como o Youtube e o Myspace, esse povo nunca teria a oportunidade de sair da garagem. Não antes do vizinho tocar fogo nela. Só que eles sairam. As menininhas apaixonadinhas que tiveram os seus corações partidos e não acreditavam mais nos homens e no amor, renderam-se a elas. Antes você era o cara quando pegava o violão e tocava Exagerado, Palpite, Apenas mais uma de amor ou qualquer música sertaneja. Isso sim era romantismo, mas mulher mal amada é o mal do mundo. Os moleques, sem saída, seguiram a onda e cá estamos nós. Creio que está mais do que na hora de classificar todas essas bandas como pornografia. Afinal, estão fodendo toda uma geração bem na nossa frente.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Sete pecados - Inveja
Nasceram juntos, mas a natureza não permitiu que nascessem ao mesmo tempo. Primeiro surgiu Eduardo, depois veio Marcelo, seguiu-se o primeiro choro de ambos e depois a paz, por último, apenas a discórdia. O caçula nunca aceitaria o fato de não ter sido o mais velho.
Desde pequenos, as brigas fizeram parte da rotina dos gêmeos. O primogênito sempre vítima, moleque calmo que vivia sendo perturbado pelo irmão. Marcelo fazia isso para magoar o coitado e atrair a atenção dos pais toda para si. Via os seus planos irem por água abaixo quando todos ficavam contra ele. Essas frustrações não o desanimavam, apenas alimentavam seu espírito vingativo.
A cobiça começou a tomar conta da sua cabeça. Dia e noite, noite e dia, até o seu último suspiro. Mesmo sendo gêmeo idêntico do Eduardo e ter ganho as mesmas coisas, queria ser bonito, bem vestido, falar inglês, ter vários amigos e namorar as mais lindas como o irmão. Seguia os passos dele na tentativa de mostrar que conseguia fazer melhor. Chegou ao ponto de nem conseguir mais concentrar-se direito, apenas pensando nele. A única certeza era a de que só sossegaria ao final do último suspiro do mais velho.
Aconteceu quando estavam morando juntos e fazendo faculdade fora. Dudu saiu primeiro e voltaria apenas na hora do jantar. Assim que ele saiu, a Oportunidade bateu na porta do apartamento e Marcelo decidiu que estava na hora de deixá-la entrar. Confabularam por alguns instantes e resolveram envenená-lo no jantar. Compraram tudo do bom e do melhor, preparam um jantar belo, gostoso e letal. Em algumas horas estaria tudo resolvido. E se resolveu.
Quando entrou no apartamento, percebeu que havia algo estranho, estava quieto demais. Correu até a cozinha para encontrar o seu gêmeo morto no chão. A boca e o prato sobre a mesa ainda cheios. Depois da autópsia e de terminada as investigações, conclui-se que Marcelo não se conformara com um jantar tão bem preparado apenas para o irmão e resolveu comer antes que ele chegasse. Na volta para casa, lembrou dos momentos que passaram juntos e da força de vontade que ele tinha para superá-lo. Sentiu inveja.
Desde pequenos, as brigas fizeram parte da rotina dos gêmeos. O primogênito sempre vítima, moleque calmo que vivia sendo perturbado pelo irmão. Marcelo fazia isso para magoar o coitado e atrair a atenção dos pais toda para si. Via os seus planos irem por água abaixo quando todos ficavam contra ele. Essas frustrações não o desanimavam, apenas alimentavam seu espírito vingativo.
A cobiça começou a tomar conta da sua cabeça. Dia e noite, noite e dia, até o seu último suspiro. Mesmo sendo gêmeo idêntico do Eduardo e ter ganho as mesmas coisas, queria ser bonito, bem vestido, falar inglês, ter vários amigos e namorar as mais lindas como o irmão. Seguia os passos dele na tentativa de mostrar que conseguia fazer melhor. Chegou ao ponto de nem conseguir mais concentrar-se direito, apenas pensando nele. A única certeza era a de que só sossegaria ao final do último suspiro do mais velho.
Aconteceu quando estavam morando juntos e fazendo faculdade fora. Dudu saiu primeiro e voltaria apenas na hora do jantar. Assim que ele saiu, a Oportunidade bateu na porta do apartamento e Marcelo decidiu que estava na hora de deixá-la entrar. Confabularam por alguns instantes e resolveram envenená-lo no jantar. Compraram tudo do bom e do melhor, preparam um jantar belo, gostoso e letal. Em algumas horas estaria tudo resolvido. E se resolveu.
Quando entrou no apartamento, percebeu que havia algo estranho, estava quieto demais. Correu até a cozinha para encontrar o seu gêmeo morto no chão. A boca e o prato sobre a mesa ainda cheios. Depois da autópsia e de terminada as investigações, conclui-se que Marcelo não se conformara com um jantar tão bem preparado apenas para o irmão e resolveu comer antes que ele chegasse. Na volta para casa, lembrou dos momentos que passaram juntos e da força de vontade que ele tinha para superá-lo. Sentiu inveja.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Apenas mais uma de amor (10)
O frio do inverno começava a se fazer presente, mas o clima permanecia agradável. O céu estava azul depois de uma noite inteira de forte chuva. Crianças jogavam bola em um campinho próximo enquanto pessoas de diferentes idades caminhavam pela rua de paralelepípedo, todas indiferentes à minha presença, exceto a única que fazia diferença para mim. Estava tudo acabado.
Estava tudo terminado. Dois meses de conversas até o galo cacarejar e o dia nascer, de mensagens de boa noite e apelidos sugestivos. Era eu Maior Problema e ela Dois Foras, apelidos que não fariam mais sentido algum. Não sabia nem por onde começar a esquecer, fazer de conta que aquilo tinha sido uma ilusão. Talvez até tivesse sido e só estava descobrindo isso agora. Dançar sem música no meio da rua na tentativa de conquistá-la parecia tão surreal naquele momento quanto no dia em que realmente aconteceu. Grande loucura, porém, foi o que despertou algo dentro dela. Bom, não iria importar mais. Finis, finito.
Ela me viu com outra, vi que ela tinha visto. Se tivesse pensado um pouco, não teria feito o que fiz. Não fosse o homem que sou, teria culpado o álcool, mas correria o risco de não ser amparado por ele agora que precisaria afogar as mágoas. O amor que crescia fora estancado pela minha burrice apenas. Aqueles lábios carnudos não mais seriam meus, o castanho esverdeado dos meus nunca mais encontrariam o castanho azulado dos dela, seus sorrisos não encontrariam graça nas minhas palavras, seus cabelos não esvoaçariam no banco do passageiro, seus quadris rebolariam no meio daqueles carniceiros sem proteção e as minhas mãos teriam que se acostumar sem as suas coxas de alabastro. Não por falta de tentativa, contei a história e pedi desculpas, fui burro e insensato. Sorte temos nós, os pecadores, que não esperam perdão. Ponto final.
Estava tudo terminado. Dois meses de conversas até o galo cacarejar e o dia nascer, de mensagens de boa noite e apelidos sugestivos. Era eu Maior Problema e ela Dois Foras, apelidos que não fariam mais sentido algum. Não sabia nem por onde começar a esquecer, fazer de conta que aquilo tinha sido uma ilusão. Talvez até tivesse sido e só estava descobrindo isso agora. Dançar sem música no meio da rua na tentativa de conquistá-la parecia tão surreal naquele momento quanto no dia em que realmente aconteceu. Grande loucura, porém, foi o que despertou algo dentro dela. Bom, não iria importar mais. Finis, finito.
Ela me viu com outra, vi que ela tinha visto. Se tivesse pensado um pouco, não teria feito o que fiz. Não fosse o homem que sou, teria culpado o álcool, mas correria o risco de não ser amparado por ele agora que precisaria afogar as mágoas. O amor que crescia fora estancado pela minha burrice apenas. Aqueles lábios carnudos não mais seriam meus, o castanho esverdeado dos meus nunca mais encontrariam o castanho azulado dos dela, seus sorrisos não encontrariam graça nas minhas palavras, seus cabelos não esvoaçariam no banco do passageiro, seus quadris rebolariam no meio daqueles carniceiros sem proteção e as minhas mãos teriam que se acostumar sem as suas coxas de alabastro. Não por falta de tentativa, contei a história e pedi desculpas, fui burro e insensato. Sorte temos nós, os pecadores, que não esperam perdão. Ponto final.
*
Deitados na minha cama, abraçados, conversamos sobre como a intensidade fala mais alto que o tempo. Os cinco meses de Cronos que parecem cinco anos de Afrodite. A ordem que surgiu daquele caos não fora prevista e nem estava clara para nenhum de nós. Tudo fica bem quando acaba bem. Ela estava ali e eu quero que ela fique. Sei que errei, mas errei mais feio ainda quando pensei que aquele ponto seria final. Ponto continuando.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Sonho de liberdade
No nordeste dos Estados Unidos, existia uma pequena propriedade dedicada à plantação de maçãs. Paul era quem cuidava delas junto com a mulher e um filho, mas o papel dele não será importante agora. As macieiras tinham duas opções que variavam de acordo com qual lado da cerca elas nasciam. Davam frutos vermelhos se nasciam do lado esquerdo e verdes quando brotavam do lado direito. Elisabeth nascera do esquerdo.
Desde pequena, quando ainda germinava e não entendia nada do mundo e do planeta em que estava, sentia-se diferente. Cresceu com essa sensação estranha. Teve a confirmação que precisava quando viu a cor das suas maçãs. Vermelho? Não existia cor mais feia e fora de moda. Aquela não era cor para ela. Queria algo mais, diferente e que a destacasse das demais. Ela nascera pra brilhar no meio de toda aquela cafonice. Não adiantou em nada a tentativa das amigas de tirar aquela ideia da cabeça dela. Macieira do lado esquerdo só tem essa opção, reclamasse ela com o fazendeiro. Ela apenas ria e sonhava.
Como vocês bem sabem, em fazenda pequena a fofoca corre rápido. Em pouco tempo, o pomar inteiro sabia que havia uma sonhadora. Uma assanhada, isso sim. Ela de espécie de família querendo se misturar com outras espécies quaisquer. Não naquele pomar. Entretanto, Lisa, como era carinhosamente conhecida, já estava decidida. Na próxima safra ela apresentaria novas cores.
Na primeira, o máximo que ela conseguiu foi deixar as maçãs menos vermelhas. Na segunda, algumas poucas ficaram metade verdes e metade amarelas. Na terceira, metade delas estava verde. Só na quarta ela conseguiu mudar a cor e o gosto de todas. Pena essa não ser uma história com final feliz. Queria encerrar aqui e contar que Lisa viveu por muitos anos feliz e do jeito que sonhou, mas não foi assim que as coisas aconteceram.
Paul era agricultor formado no campo e com especialização no seu pomar. Conhecia cada árvore e cuidava de cada uma delas. Quando percebeu que a coloração dos frutos de uma delas estava diferente, fez o diagnóstico e a medicou. Safra após safra, ele cuidou dela sem muitos resultados. Na quarta, após ter diagnosticado o problema, desistiu. Estavam todos os frutos verdes e nenhum dos pesticidas adiantou. Foi com grande pesar que ele pegou a serra, cortou a macieira e arrancou a raiz. Teve que ser assim, antes que as outras fossem contaminadas e ele falisse.
Ao menos fora livre uma vez na vida.
Desde pequena, quando ainda germinava e não entendia nada do mundo e do planeta em que estava, sentia-se diferente. Cresceu com essa sensação estranha. Teve a confirmação que precisava quando viu a cor das suas maçãs. Vermelho? Não existia cor mais feia e fora de moda. Aquela não era cor para ela. Queria algo mais, diferente e que a destacasse das demais. Ela nascera pra brilhar no meio de toda aquela cafonice. Não adiantou em nada a tentativa das amigas de tirar aquela ideia da cabeça dela. Macieira do lado esquerdo só tem essa opção, reclamasse ela com o fazendeiro. Ela apenas ria e sonhava.
Como vocês bem sabem, em fazenda pequena a fofoca corre rápido. Em pouco tempo, o pomar inteiro sabia que havia uma sonhadora. Uma assanhada, isso sim. Ela de espécie de família querendo se misturar com outras espécies quaisquer. Não naquele pomar. Entretanto, Lisa, como era carinhosamente conhecida, já estava decidida. Na próxima safra ela apresentaria novas cores.
Na primeira, o máximo que ela conseguiu foi deixar as maçãs menos vermelhas. Na segunda, algumas poucas ficaram metade verdes e metade amarelas. Na terceira, metade delas estava verde. Só na quarta ela conseguiu mudar a cor e o gosto de todas. Pena essa não ser uma história com final feliz. Queria encerrar aqui e contar que Lisa viveu por muitos anos feliz e do jeito que sonhou, mas não foi assim que as coisas aconteceram.
Paul era agricultor formado no campo e com especialização no seu pomar. Conhecia cada árvore e cuidava de cada uma delas. Quando percebeu que a coloração dos frutos de uma delas estava diferente, fez o diagnóstico e a medicou. Safra após safra, ele cuidou dela sem muitos resultados. Na quarta, após ter diagnosticado o problema, desistiu. Estavam todos os frutos verdes e nenhum dos pesticidas adiantou. Foi com grande pesar que ele pegou a serra, cortou a macieira e arrancou a raiz. Teve que ser assim, antes que as outras fossem contaminadas e ele falisse.
Ao menos fora livre uma vez na vida.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Amor?
Perguntaram-na uma vez o que é o amor. Ela não soube responder. Em sua vida já tinha vivido emoções que julgava ser amor, mas foram todas passageiras, inexplicavelmente esquecidas. Não exatamente esquecidas, mas mudaram de alguma forma.
10 anos. Caio. Ele mal sabia de sua existência, mas para ela era como se seu príncipe encantado chegasse todos os dias na escola. Olhava-o de longe, admirava-o. Quase uma paixão platônica. Beijou-o. E o que parecia ser amor, acabou. Foi embora e o esqueceu.
13 anos. Artur. Um garoto bonito, gentil e que a tratava como uma princesa. Namoraram por alguns meses...se apaixonaram. Por conta da idade, o namoro não pode continuar. O sofrimento parecia sem fim, era como se uma parte importante dela tivesse sido arrancada. O amor ia embora. A amizade continuou.
14 anos. Artur começa a namorar outra. Ela não sente nada, raiva, rancor ou tristeza. Já o havia esquecido. E o amor?
16 anos. Daniel. Depois de alguns anos e garotos sem maior importância, ele aparece para conquistar seu coração. Chega devagar e vai cobrindo todas as lacunas, parece perfeito. Namoram, se apaixonam. Ele diz que a ama, ela tem certeza de que a recíproca é verdadeira.
Brigas. Términos. Reconciliações. Quatro anos se passam. A relação fica indefinida. Ela não o quer mais, mas não consegue esquecê-lo. Tem medo de estar fazendo escolhas erradas. E se...ah...o amor...
20 anos. Artur. Aquele que havia marcado tanto, volta. Pede para que voltem a ficar, quer tentar de novo agora que a idade não os impede. Ela diz que não...já não sente nada por ele. Mas não era amor?
20 anos. Daniel. Brigas. Encontros. Desencontros. Eu te amo. Eu te odeio. Ela começa a pensar: “O que é o amor? Algo intenso e passageiro? Ou eterno?”
Quando descobriremos o amor? E mais importante...quando descobriremos que é, verdadeiramente, amor?
10 anos. Caio. Ele mal sabia de sua existência, mas para ela era como se seu príncipe encantado chegasse todos os dias na escola. Olhava-o de longe, admirava-o. Quase uma paixão platônica. Beijou-o. E o que parecia ser amor, acabou. Foi embora e o esqueceu.
13 anos. Artur. Um garoto bonito, gentil e que a tratava como uma princesa. Namoraram por alguns meses...se apaixonaram. Por conta da idade, o namoro não pode continuar. O sofrimento parecia sem fim, era como se uma parte importante dela tivesse sido arrancada. O amor ia embora. A amizade continuou.
14 anos. Artur começa a namorar outra. Ela não sente nada, raiva, rancor ou tristeza. Já o havia esquecido. E o amor?
16 anos. Daniel. Depois de alguns anos e garotos sem maior importância, ele aparece para conquistar seu coração. Chega devagar e vai cobrindo todas as lacunas, parece perfeito. Namoram, se apaixonam. Ele diz que a ama, ela tem certeza de que a recíproca é verdadeira.
Brigas. Términos. Reconciliações. Quatro anos se passam. A relação fica indefinida. Ela não o quer mais, mas não consegue esquecê-lo. Tem medo de estar fazendo escolhas erradas. E se...ah...o amor...
20 anos. Artur. Aquele que havia marcado tanto, volta. Pede para que voltem a ficar, quer tentar de novo agora que a idade não os impede. Ela diz que não...já não sente nada por ele. Mas não era amor?
20 anos. Daniel. Brigas. Encontros. Desencontros. Eu te amo. Eu te odeio. Ela começa a pensar: “O que é o amor? Algo intenso e passageiro? Ou eterno?”
Quando descobriremos o amor? E mais importante...quando descobriremos que é, verdadeiramente, amor?
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Sete pecados - Luxúria
Pela manhã ela era Isaura, dona de uma loja de roupas no centro da cidade, divorciada, mãe de um casal de gêmeos, a separação logo após o nascimento. Pela noite ela era a insaciável Scarlet, dançarina de pole dance, seios fartos saltando do espartilho, estrias da gravidez mascaradas pela luz vermelha, mas isso era apenas um hobby.
Fosse Isaura ou Scarlet, ela desejava todos os olhares. Homens que desejavam aquele corpo sedutor deitado em suas camas, chamando pelos seus nomes entre gemidos e suspiros. Mulheres que a invejavam por ter um corpo tão formoso mesmo após ter posto no mundo duas crianças. Gostava tanto de imaginar todas aquelas pessoas com o olhar preso nela que só gozava pensando nelas.
Não tinha jeito. Podia ser negro, branco ou amarelo, pequeno, médio ou grande, grosso ou fino, romântico ou selvagen, vibrante ou não, se ela não conseguisse visualizar aqueles olhares ela não tinha orgasmos. Nenhum deles nunca se decepcionou por não ter feito seu serviço direito, mesmo ela pagando por cada um. Muito menos ela os culpava, o problema era com a imaginação dela. Nunca ligou para reclamar de nenhum e até mesmo dava nova chance aos que falhavam.
Só descobriu o que faltava na sua cama quando se separou do marido e começou a notar as olhadas que os homens do prédio davam. Por um tempo, a imagem deles foi suficiente, mas ela queria mais, muito mais. Foi aí que surgiu a ideia de trabalhar pela noite para variar o cardápio. E assim viveu a sua vida, conquistando olhares pela noite e dinheiro para comprar vibradores pela manhã. Não gostava de ser observada nos momentos de prazer.
Fosse Isaura ou Scarlet, ela desejava todos os olhares. Homens que desejavam aquele corpo sedutor deitado em suas camas, chamando pelos seus nomes entre gemidos e suspiros. Mulheres que a invejavam por ter um corpo tão formoso mesmo após ter posto no mundo duas crianças. Gostava tanto de imaginar todas aquelas pessoas com o olhar preso nela que só gozava pensando nelas.
Não tinha jeito. Podia ser negro, branco ou amarelo, pequeno, médio ou grande, grosso ou fino, romântico ou selvagen, vibrante ou não, se ela não conseguisse visualizar aqueles olhares ela não tinha orgasmos. Nenhum deles nunca se decepcionou por não ter feito seu serviço direito, mesmo ela pagando por cada um. Muito menos ela os culpava, o problema era com a imaginação dela. Nunca ligou para reclamar de nenhum e até mesmo dava nova chance aos que falhavam.
Só descobriu o que faltava na sua cama quando se separou do marido e começou a notar as olhadas que os homens do prédio davam. Por um tempo, a imagem deles foi suficiente, mas ela queria mais, muito mais. Foi aí que surgiu a ideia de trabalhar pela noite para variar o cardápio. E assim viveu a sua vida, conquistando olhares pela noite e dinheiro para comprar vibradores pela manhã. Não gostava de ser observada nos momentos de prazer.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Já é Natal (2)
Faltam pouco para o dia mais esperado do ano. Povos de todos os continentes comemoram da sua própria maneira a data. Em alguns lugares vemos desfiles, grandes festas e shows pirotécnicos pra celebrar o Natal. Em todos os continentes as pessoas festejam, só não sabem o por quê.
Quando era pequeno, descobri de uma maneira bastante dolorosa que o papai Noel, o coelho da Páscoa e a fada dos dentes não existiam, cada um na sua hora. Depois disso, achei que a vida nunca mais iria me enganar. Acreditava que nada e nem ninguém poderiam me iludir novamente. É claro que eu ainda não sabia o que era amor, mas isso não vem ao caso agora. Como não é de se estranhar, me ludibriaram outra vez. Eu e todos vocês.
Se eu perguntasse agora, valendo tudo ou nada, o que é que comemoramos no Natal, a maioria esmagadora diria que essa é uma pergunta fácil, idiota e que o motivo de tanta festa é o nascimento do menino Jesus. Parabéns, você está errado. Antes de se sentir indignado, ultrajado e sair para convocar uma turba furiosa com tochas e forcados para caçar um herege enviado pelo Satanás, deixe me perguntar duas coisas: em qual Bíblia e em qual passagem você encontrou a data de nascimento do Salvador? Ou você só acredita por que lhe disseram? Ninguém sabe quando Ele nasceu, em nenhum momento as escrituras sagradas indicam o dia em que Cristo veio ao mundo. O dia 25 realmente é uma data muito especial, mas não para os cristãos.
No Natal, acontece o solstício de inverno. Nessa data, os povos pagãos celebravam o Deus Sol. Esses povos foram conquistados por civilizações cristãs e, para facilitar a transição entre uma religião e outra, a Igreja decidiu que as comemorações continuariam, porém, por outros motivos. Desde então, geração após geração, especial de Natal após especial de Natal, as pessoas continuaram a disseminar essa mentira sem que nenhum de nós questionasse. E você se achando o espertão por ganhar presente no aniversário dos outros, né?
Quando era pequeno, descobri de uma maneira bastante dolorosa que o papai Noel, o coelho da Páscoa e a fada dos dentes não existiam, cada um na sua hora. Depois disso, achei que a vida nunca mais iria me enganar. Acreditava que nada e nem ninguém poderiam me iludir novamente. É claro que eu ainda não sabia o que era amor, mas isso não vem ao caso agora. Como não é de se estranhar, me ludibriaram outra vez. Eu e todos vocês.
Se eu perguntasse agora, valendo tudo ou nada, o que é que comemoramos no Natal, a maioria esmagadora diria que essa é uma pergunta fácil, idiota e que o motivo de tanta festa é o nascimento do menino Jesus. Parabéns, você está errado. Antes de se sentir indignado, ultrajado e sair para convocar uma turba furiosa com tochas e forcados para caçar um herege enviado pelo Satanás, deixe me perguntar duas coisas: em qual Bíblia e em qual passagem você encontrou a data de nascimento do Salvador? Ou você só acredita por que lhe disseram? Ninguém sabe quando Ele nasceu, em nenhum momento as escrituras sagradas indicam o dia em que Cristo veio ao mundo. O dia 25 realmente é uma data muito especial, mas não para os cristãos.
No Natal, acontece o solstício de inverno. Nessa data, os povos pagãos celebravam o Deus Sol. Esses povos foram conquistados por civilizações cristãs e, para facilitar a transição entre uma religião e outra, a Igreja decidiu que as comemorações continuariam, porém, por outros motivos. Desde então, geração após geração, especial de Natal após especial de Natal, as pessoas continuaram a disseminar essa mentira sem que nenhum de nós questionasse. E você se achando o espertão por ganhar presente no aniversário dos outros, né?
domingo, 12 de dezembro de 2010
Já é Natal
Foi em Dezembro do ano passado que fiz um post sobre o bom e velho amigo secreto. O tempo passou tão rápido que já está na hora de falar sobre o Natal de novo. Calma, nada de post sobre amigo secreto de novo. Afinal, presente de grego, só na festinha do dia vinte e quatro.
Estamos prestes a completar a primeira década do segundo milênio depois de Cristo aqui no nosso planetinha azul. Se você tem um emprego correto, por pior que seja ele ou o seu chefe, você já deve ter recebido o seu décimo terceiro ou pelo menos já pensou no destino que ele terá. Como você não deve ser o Eike Batista, mas se for aceito doações, esse dinheiro extra chegou pra aliviar a sua situação. Com ele você poderá quitar as dívidas que já fez comprando presentes para poder adquirir, adivinhem, mais presentes. Quem se importa? É Natal mesmo e você só pensará nisso depois do Carnaval quando vencerá a primeira parcela.
A ideia de trocar presentes no Natal deveria ter concorrido ao Nobel de economia. Ela revolucionou o mundo. Nós temos o dia das mães, dos pais, das crianças e muitos outros, entretanto, todos eles homenageiam um grupo específico da sociedade. Menos o Natal. Não importa se você é alto ou magro, bonito ou feio, doente ou saudável, católico ou evangélico, todo mundo ganha presente. Até as pessoas que você não gosta ganham presente. Veja se alguém esquece de mandar um agrado para a sogra. Esquece nada, até porque, a ceia é na casa dela e você nunca sabe com o que é que ela recheia o peru. Porém, estamos tão preocupados com que iremos ganhar de presente que acabamos esquecendo do verdadeiro espírito da coisa toda.
Seu pai foi tomar todas com os seus tios na cozinha, sua mãe sentou do seu lado e não para de falar mal da roupa dos outros, seu irmão está desde a hora em vocês saíram de casa dizendo que o presente dele vai ser melhor e mais caro que o seu, e, você, pobre alma, está esperando ser libertado desse calvário para sair e tomar todas com os seus amigos, falar mal dos outros e contar vantagem sobre os seus presentes. É nisso que o Natal está se transformando. São raros os jovens que querem passar a data com a família e depois ir para a cama esperar o bom velhinho chegar. As cenas de famílias enormes reunidas ao redor de fartas mesas ficaram para os comerciais de chester. Os papais noéis que antes eram aguardados nas ruas, agora são meros artigos de decoração e propagandas baratas. A culpa disso é toda nossa. Quem mandou deixarmos de acreditar no velhinho barbudo que levava alegria para todas as crianças do mundo?
Estamos prestes a completar a primeira década do segundo milênio depois de Cristo aqui no nosso planetinha azul. Se você tem um emprego correto, por pior que seja ele ou o seu chefe, você já deve ter recebido o seu décimo terceiro ou pelo menos já pensou no destino que ele terá. Como você não deve ser o Eike Batista, mas se for aceito doações, esse dinheiro extra chegou pra aliviar a sua situação. Com ele você poderá quitar as dívidas que já fez comprando presentes para poder adquirir, adivinhem, mais presentes. Quem se importa? É Natal mesmo e você só pensará nisso depois do Carnaval quando vencerá a primeira parcela.
A ideia de trocar presentes no Natal deveria ter concorrido ao Nobel de economia. Ela revolucionou o mundo. Nós temos o dia das mães, dos pais, das crianças e muitos outros, entretanto, todos eles homenageiam um grupo específico da sociedade. Menos o Natal. Não importa se você é alto ou magro, bonito ou feio, doente ou saudável, católico ou evangélico, todo mundo ganha presente. Até as pessoas que você não gosta ganham presente. Veja se alguém esquece de mandar um agrado para a sogra. Esquece nada, até porque, a ceia é na casa dela e você nunca sabe com o que é que ela recheia o peru. Porém, estamos tão preocupados com que iremos ganhar de presente que acabamos esquecendo do verdadeiro espírito da coisa toda.
Seu pai foi tomar todas com os seus tios na cozinha, sua mãe sentou do seu lado e não para de falar mal da roupa dos outros, seu irmão está desde a hora em vocês saíram de casa dizendo que o presente dele vai ser melhor e mais caro que o seu, e, você, pobre alma, está esperando ser libertado desse calvário para sair e tomar todas com os seus amigos, falar mal dos outros e contar vantagem sobre os seus presentes. É nisso que o Natal está se transformando. São raros os jovens que querem passar a data com a família e depois ir para a cama esperar o bom velhinho chegar. As cenas de famílias enormes reunidas ao redor de fartas mesas ficaram para os comerciais de chester. Os papais noéis que antes eram aguardados nas ruas, agora são meros artigos de decoração e propagandas baratas. A culpa disso é toda nossa. Quem mandou deixarmos de acreditar no velhinho barbudo que levava alegria para todas as crianças do mundo?
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Apenas mais uma de amor (9)
Eram quatro amigos: Arthur, Gabriel, Laura e Bia. No tempo da escola, Gabriel namorou com Bia, mas acabou mesmo foi com a Laura. Quem consolou a pobre Bia foi o Arthur. Mulher como ela não se desperdiça. Consolo vai, consolo vem, ficaram juntos. O casal de amigos vibrou com a notícia, tudo voltava ao normal. O quarteto estava reunido.
A amizade era tão grande que, Arthur e Gabriel, resolveram noivar no mesmo dia. Se fosse pra sofrer da vida de casado, que sofressem juntos. Fizeram uma grande festa surpresa com parentes e amigos dos casais. Festa pra ninguém botar defeito, muito menos elas duas. Ambas aceitaram e casaram juntas. Mesma igreja, mesmo padre e mesma data.
Anos se passaram até que Bia e Laura começaram a desconfiar das saídas dos maridos. Não tinham como provar nada, mas como intuição de mulher é fogo, colocaram os dois na parede mesmo assim. Os maridos, que também estavam desconfiados, resolveram tirar tudo à limpo. O que os quatro descobriram, mudou a vida deles.
Para evitar futuras traições, marcaram um swing entre eles, coisa simples. Assim, ninguém precisaria fazer nada escondido ou pelas costas. Seus cônjuges teriam outra companhia, mas uma companhia que nunca fez mal para eles. Outra pessoa, porém, conhecida.
Após o sucesso do primeiro, outros foram agendados, até que, os finais de semana, tornaram-se sagrados. Jantavam os quatro juntos, sempre na casa de um dos casais, nunca em lugares que envolvessem terceiros, e, em seguida, dirigiam-se em pares para um dos quartos. Apenas lá, apenas nos finais de semana, apenas os quatro amigos. Só então, Arthur podia ser de Gabriel e Laura possuía Bia, como nos velhos tempos.
A amizade era tão grande que, Arthur e Gabriel, resolveram noivar no mesmo dia. Se fosse pra sofrer da vida de casado, que sofressem juntos. Fizeram uma grande festa surpresa com parentes e amigos dos casais. Festa pra ninguém botar defeito, muito menos elas duas. Ambas aceitaram e casaram juntas. Mesma igreja, mesmo padre e mesma data.
Anos se passaram até que Bia e Laura começaram a desconfiar das saídas dos maridos. Não tinham como provar nada, mas como intuição de mulher é fogo, colocaram os dois na parede mesmo assim. Os maridos, que também estavam desconfiados, resolveram tirar tudo à limpo. O que os quatro descobriram, mudou a vida deles.
Para evitar futuras traições, marcaram um swing entre eles, coisa simples. Assim, ninguém precisaria fazer nada escondido ou pelas costas. Seus cônjuges teriam outra companhia, mas uma companhia que nunca fez mal para eles. Outra pessoa, porém, conhecida.
Após o sucesso do primeiro, outros foram agendados, até que, os finais de semana, tornaram-se sagrados. Jantavam os quatro juntos, sempre na casa de um dos casais, nunca em lugares que envolvessem terceiros, e, em seguida, dirigiam-se em pares para um dos quartos. Apenas lá, apenas nos finais de semana, apenas os quatro amigos. Só então, Arthur podia ser de Gabriel e Laura possuía Bia, como nos velhos tempos.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Direitos humanos
Uma cidade aterrorizada, avenidas bloqueadas com carros em chamas e uma população que sai de casa com medo de não voltar. Os noticiários deixaram de exibir seus quadros habituais para mostrar apenas a situação do Rio de Janeiro. A rotina dos moradores que não conseguem dormir com os tiros e nem podem chegar próximos aos portões e janelas de suas casas. O país inteiro comovido e preocupado com a situação das famílias dos inocentes que se encontram no meio de uma guerra civil. É essa mesma compaixão com as vítimas que transformou as favelas em verdadeiras terras onde as leis do Estado não alcançam.
Quando a polícia ou os grupos táticos vão atrás de traficantes, a função deles é trazê-los vivos. Alguns acabam morrendo no embate, mas vários também são presos e levados à julgamento. Eles serão levados para penitenciárias onde serão sustentados pelo governo, ou seja, pelos nossos impostos. As famílias dos que morreram e humanistas partem em defesa dos que tombaram frente à invasão. Perguntam onde estavam os direitos humanos daquelas pessoas, meras vítimas do problema social do nosso país, quando foram mortas pela máquina de guerra do Estado. Respondo: estavam enterrados com os verdadeiros inocentes, incapazes de fazer nada para os que realmente mereciam.
Os traficantes que não são mortos, continuam a comandar o crime da cadeia. A população tira do bolso o dinheiro que mantêm vivos seus futuros algozes. Dinheiro esse que poderia ser utilizado na melhoria de vida do povo. Em entrevista, um Capitão do BOPE alegou "Só Deus pode julgar estes traficantes, o papel do BOPE é promover este encontro". O pessoal caiu em cima dizendo que ele o seu batalhão são monstros inescrupulosos. Vamos lá. Concordo com os direitos humanos e acredito que todo homem tem o direito de viver, mas acredito também que os direitos humanos valem apenas para aqueles que são humanos. O dono da boca não se preocupa com os direitos dos moradores da favela e nem pensa nisso quando manda eliminar algum desafeto. Então, por que é que devemos tolerar e perdoar as atrocidades cometidas por bandidos se eles mesmo não toleram e nem perdoam ninguém?
Humanismo é pra quem é humano e acabou. Se eles alegam que traficante é vítima, então a população é vítima em dobro. Gente metida a pseudo-intelectual que parte em defesa deles, transferindo a culpa toda para os governantes. O cara entra no crime porque quer. Ninguém obriga. Se toda pessoa que se sente abandonada pelos políticos que elegeu entrasse pro tráfico, teríamos um estereótipo de que todo favelado é bandido. Entretanto, o que vemos é a luta diária de famílias de trabalhadores honestos contra o crime. A polícia tinha mais era que ter atirado em todos os que fugiram da Vila Cruzeiro para o Morro do Alemão. É errado? Quer dizer que devemos ter pena do cara que, além de matar, destrói uma família vendendo drogas? Falam isso porque a desgraça não é nas famílias deles. Piedade é o cacete, bala na caveira mesmo.
Quando a polícia ou os grupos táticos vão atrás de traficantes, a função deles é trazê-los vivos. Alguns acabam morrendo no embate, mas vários também são presos e levados à julgamento. Eles serão levados para penitenciárias onde serão sustentados pelo governo, ou seja, pelos nossos impostos. As famílias dos que morreram e humanistas partem em defesa dos que tombaram frente à invasão. Perguntam onde estavam os direitos humanos daquelas pessoas, meras vítimas do problema social do nosso país, quando foram mortas pela máquina de guerra do Estado. Respondo: estavam enterrados com os verdadeiros inocentes, incapazes de fazer nada para os que realmente mereciam.
Os traficantes que não são mortos, continuam a comandar o crime da cadeia. A população tira do bolso o dinheiro que mantêm vivos seus futuros algozes. Dinheiro esse que poderia ser utilizado na melhoria de vida do povo. Em entrevista, um Capitão do BOPE alegou "Só Deus pode julgar estes traficantes, o papel do BOPE é promover este encontro". O pessoal caiu em cima dizendo que ele o seu batalhão são monstros inescrupulosos. Vamos lá. Concordo com os direitos humanos e acredito que todo homem tem o direito de viver, mas acredito também que os direitos humanos valem apenas para aqueles que são humanos. O dono da boca não se preocupa com os direitos dos moradores da favela e nem pensa nisso quando manda eliminar algum desafeto. Então, por que é que devemos tolerar e perdoar as atrocidades cometidas por bandidos se eles mesmo não toleram e nem perdoam ninguém?
Humanismo é pra quem é humano e acabou. Se eles alegam que traficante é vítima, então a população é vítima em dobro. Gente metida a pseudo-intelectual que parte em defesa deles, transferindo a culpa toda para os governantes. O cara entra no crime porque quer. Ninguém obriga. Se toda pessoa que se sente abandonada pelos políticos que elegeu entrasse pro tráfico, teríamos um estereótipo de que todo favelado é bandido. Entretanto, o que vemos é a luta diária de famílias de trabalhadores honestos contra o crime. A polícia tinha mais era que ter atirado em todos os que fugiram da Vila Cruzeiro para o Morro do Alemão. É errado? Quer dizer que devemos ter pena do cara que, além de matar, destrói uma família vendendo drogas? Falam isso porque a desgraça não é nas famílias deles. Piedade é o cacete, bala na caveira mesmo.
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