Mostrando postagens com marcador Diarinho gay. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Diarinho gay. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Nego

Agora eu sou o Negão que trocou o verão do nordeste pelo inverno de Portugal, o oxe pelo ora pois e a moqueca de peixe com camarão por esse tal de bacalhau. Agora não tem mais moleza, nem o conforto de casa. Nada de roupa, passada e lavada, guardada na gaveta, cama feita ou pia da cozinha vazia. A comida não surge nas panelas, os produtos de limpeza não se esfregam no chão, os sacos de lixo não tomam o elevador, e o cheirinho do banheiro vive vazio.

Bebo todos os dias porque o clima é frio, porque sempre tem promoção, porque tem festa, porque chamam, porque não tenho aula, porque tive aula demais, porque não tem nada pra fazer, mas na maioria das vezes, faça chuva ou faça sol, é tão somente porque eu quero. Basta ser líquido, até o tal do mátê quêntê vendo o pôr do sol no teleférico de Gaia.

Jogo frisbee, ando de caiaque, faço slack, corro, e não paro. Agora falo um pouco de francês aqui, uma pitada de italiano ali e um punhado de alemão, não é suficiente pra conversar com ninguém, mas é, por enquanto, o bastante. Não estudo, mas vivo o Direito nas ruas, no povo e no fundo de um copo de cerveja.

Sou da Bahia, de Cuiabá e do Acre, mas também sou mineiro, gaúcho, paulista e catarinense. É uai! com bah!, bolacha com biscoito, língua queimada pelo mátê quêntê no final da tarde. É o rolê num pico doidimais, e, principalmente, concordar que é tudo um demonho mesmo. É deixar de ser sergipano pra me apresentar como brasileiro, com muito orgulho, com muito amor-ôôôô!

Foi nessa mistura retada da peste, que mudei e fui mudado, que acrescentei e fui acrescido. Não porque o intercâmbio muda todo mundo, mas porque tive coragem de sair da minha zona de conforto.

Agora eu sou o Negão, cheio de paixão, te catá, te catá, te catá.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Apenas mais uma de amor (22) - Chico

A fase de negação começou quando vi aquele ser sentado no colo da minha mãe pela primeira vez, não fazia ideia de quem ou o que era aquilo, mas o odiava com todas as minhas forças. Éramos diferentes, mas compartilhávamos o mesmo sangue, mas nada mudaria isso: estava no meu lugar e tomava a atenção que sempre fora minha. Não aceitava ser trocado, preferia que a minha mãe permanecesse gordinha para sempre. A negação era constante. Não queria acreditar que estava acontecendo justo comigo. Eu queria um cachorro e os meus pais me deram uma irmã. Fui traído por quem mais deveria me amar.

Pouco a pouco me conformei com a ideia de que não daria para me livrar dela e a negação começou a ser substituída pela fase da raiva desmedida que só crescia. Não suportava a sua presença e nós não podíamos dividir o mesmo espaço sem que brigássemos. Eu acordava, dava uma surra nela para ela acordar, ia tomar banho e dava outra surra quando a gente se encontrava no corredor. Depois nós descíamos para tomar café e eu dava outra surra nela porque ela queria comer o mesmo que eu. E assim passava o dia, numa mistura de meninices e surras constantes, até que a minha mãe decidiu que um passava a manhã no andar de baixo e o outro no andar de cima, e pela tarde trocávamos.

Mesmo assim ela era o meu saco de pancada e ninguém além de mim tinha o direito de descer a mão nela. A medida que crescíamos as brigas começaram a se tornar menos frequentes, porém mais intensas. Desloquei o braço dela com um chute e ela amassou a porta com um tijolo que era pra acertar a minha cabeça. A gente ficava semanas sem se falar, uma Guerra Fria em menor escala prestes a estourar. E, para ser sincero, não sei o que mudou e nem quando a raiva virou aceitação. Um belo dia nós simplesmente nos tolerávamos e já nos dávamos bem. Nos tornamos civilizados.

Ainda discutimos bastante, mas porque temos a personalidade forte. Ficamos sem nos falar algumas vezes e foram as semanas mais intermináveis da minha vida. Estamos sempre juntos e agora não vejo mais como irmã mais nova e sim como minha amiga. Depois da fase da aceitação, que 6 anos atrás eu achei que fosse a última, veio a fase do amor porque não importa o quanto ela cresça, será pra sempre o meu macaquinho.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

História de Ninguém

Quem sou eu já não importa, nem o quando e nem o onde. O que importa é que não tenho mais identidade. Mera mazela social a ser julgada. Um mito criado ao meu redor. Fui julgado um qualquer, um desajustado, apenas mais um rebelde sem causa.

Sou um número. Apenas uma sequência pela qual todos me reconhecem, exceto eu. Como se não bastasse a minha identidade, tiraram também o meu direito de lutar. Não há direito de resistência. Não posso aceitar. Não, não. Exército parapopular que espera pra ser réu, julgado, culpado. Não, não. Munidos do verbo, apenas. Frágeis problemas.

Filho da Sociedade
(Na verdade criado por Ninguém. Porcos capitalistas.)
E retorna o filho pródigo, mas sua Mãe não o aceita de volta,
(Discórdia)
acha que sou apenas um “Meu Guri” à espera do destino. Um destino comum a todos,
(Mentira.)
a todos os filhos pródigos,
(Desgraçada, pede que volte, mas não aceita.)
(Tolo.)
Destino o qual ela mesma me preparou. Sem direito a mudanças ou escolhas. Apenas esperando meu fim, triste fim.
(Carrasca, amaldiçoo a ti e a teus filhos. Acabarás como o início.)

domingo, 30 de março de 2014

Apenas mais uma de amor (20) - Amor maior

Lembrava da primeira vez que ela lhe chamou de pai. Claro que não era verdade e logo a corrigiram, mas foi o suficiente para desencadear a série de eventos que aconteceram no decorrer dos dois seguintes anos. Talvez as coisas já estivessem determinadas a acontecer, só levariam mais tempo. Tempo que não sabiam que não iriam ter. E que não teria mudado em nada se soubessem.

Não a via sempre, nem mesmo todas as semanas. Mesmo assim, todo dia era melhor que o anterior. Era ela que tudo alegrava quando saía cansado do trabalho para visitá-la. Todos os defeitos que tinha e que não conseguia enxergar coloriam qualquer dia cinza. Suas perguntas sem pé nem cabeça, seu riso fácil e a voz manhosa quando queria alguma coisa. De novo, de novo, e lá se ia mais uma infinitude de vezes da mesma brincadeira. Os braços cada vez mais fortes para aguentar o peso que crescia nas mãos. O peso da diminuta vida pela qual era responsável. A vida que a vida tomaria.

Era questão de tempo e nada mais. Ela tinha pai, vivo e, acima de tudo, saudoso. A notícia de que ele voltaria ao Brasil para levá-la foi recebida com ceticismo. Que besteira, que bobagem, levar a menina só por conta disso. Não dava palpites, apenas balançava a cabeça e concordava. Não tinha o direito de opinar. Nem mesmo acreditava que esse dia chegaria. Mas chegou.

E lá estava ela, mochilinha nas costas, tiara na cabeça. Nada mais de Dora ou de Galinha Pintadinha, muito menos músicas diferentes todos os dias ou brincadeiras repetitivas. Ela estava com o pai verdadeiro, não havia nada mais que pudesse ser feito. Nem ao menos sabia como se sentia. Não havia nada, nem raiva por a levarem, nem alegria por vê-la feliz. Por fim, se foi. Foi se, como houvesse uma passagem de volta esperando por ela. Só havia o pai.

Não era o pai dela, nunca seria. Ela, mais do que ninguém, sabia. Não era o pai dela, mas era como se fosse.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Três anos

Não era para ter acontecido. Todos os momentos que viram o dia nascer e o galo do vizinho cantar deveriam ter sido apenas ilusões. Eram parte de um enorme sonho que vinha em doses homeopáticas. Cada madrugada um pedaço, como em uma novela que deve ser assistida capítulo por capítulo. No meio de todas as tramas, entre tantos personagens e finais possíveis, ninguém podia imaginar. Não era para ter acontecido, mas aconteceu. Estava grato por isso.

Não era para ter se apaixonado. Ela era tudo que não procurava em uma mulher. Tinha suas qualidades, isso era bem verdade, só não as que procurava. Ele era o tipo de homem que ela achava estar vacinada contra. Ele queria ter o mundo inteiro em suas mãos, enquanto ela não queria ninguém aos seus pés. Não tinham as mesmas ideias, não defendiam as mesmas causas e nem tinham os mesmos gostos. Em comum, apenas a certeza de que não queriam se apaixonar um pelo outro. Sabiam que tudo aquilo era efêmero, uma distração no meio do caminho. Desses obstáculos que a vida traz para que a gente não fique entediado. Não era para ter se apaixonado, mas se apaixonou. Também estava grato por isso.

Não era para ter durado. As pessoas não mudam da água pro vinho e por que com eles seria diferente? Eram completamente opostos. Ela a mocinha determinada, ele o anti-herói cafajeste. Brigaram quando ela bateu o pé, faltou pouco para se separarem quando ele quase fraquejou. Fizeram de tudo para viverem o seu felizes para sempre, para descobrir que ele não existe. Pensaram por diversas vezes que estava tudo perdido. Até porque, não era para ter durado e nem durou. Ainda dura.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Mudança

Um menear de cabeça rápido e um sorriso amarelo. Foram amigos durante todo o ensino médio e agora era  apenas isso que restava. Ela havia mudado desde que entrara na faculdade. Nem ligava mais para chamar pra sair. Fizera novos amigos e esquecera dos velhos. Não podia culpá-la, desde o dia que se conheceram ele mesmo mudara bastante. Faz parte. A gente diz que as coisas irão ser para sempre de um jeito, mas não tem como. Todo mundo munda. Seja por necessidade ou pelas vidas que cruzam nossos caminhos. Nada mais seria do jeito que fora um dia. Agora eram praticamente estranhos um ao outro. Restava somente as lembranças.

Lembrou das conversas, das brigas, dos gostos compartilhados. Se soubesse que as coisas chegariam a esse ponto, teria pelo menos agradecido. Parou pra pensar em quantos melhores amigos ou amigas já tivera. Pessoas que não tinha sequer notícias. Uns mudaram de colégio, outros foram embora. Tiveram aqueles que se afastaram aos poucos e os que discutira. Sorriu. Quantas pessoas não o odiavam? Faz parte. Um dia você concorda, mas no outro discorda da pessoa. Mesmo assim, cada uma dessas pessoas era responsável por quem ele era hoje. Não tinha arrependimentos.

Tinha vontade de ir lá, dizer que sentia falta e que as coisas não eram mais as mesmas sem ela, mas não era verdade. A gente acaba aprendendo a viver sem. Continuamos evoluindo, mudando. É assim que as coisas devem ser. Todo estímulo, não importa sua natureza, provoca alterações. As pessoas que entram na nossa vida saem deixando um pedaço de si. Quantos existem dentro de você? Quantos ainda surgirão para adicionar peças a esse quebra cabeça? Pedia apenas para que, ao final, as memórias fossem boas. É, até que mudar não era tão ruim assim.

*
Foi até ela, sorriu e disse:

- Obrigado por ter despertado o escritor em mim.

Foi embora sem olhar para trás.

domingo, 10 de março de 2013

Retorno

Tanto tempo se passara desde aquele dia em que a deixara sentada na cama chorando, que não sabia nem se ainda estaria lá. Acreditava que já teria trocado a fechadura, mas sentiu a chave girar na primeira tentativa. Hesitou. Ficou ali parado por alguns instantes. Não sabia como entrar ou como seria recebido. Deveria ter pensado bastante no que diria, escolher as palavras certas, talvez até levar um presente. Agora estava ali parado e não conseguia nem decidir se girava a maçaneta ou a chave. Provavelmente seria a última chance que teria para voltar para casa. Só não estava completamente certo de que era isso que queria fazer.

Desde que saíra de casa para encontrar o rumo que sua vida outrora perdera, fez promessas vazias de que logo voltaria, mesmo sabendo o quão difícil seria voltar após dar o primeiro passo para o desconhecido. A verdade era que gostava do conforto que elas traziam. Cada passo dado significa um passo mais distante dela, um abismo que talvez jamais pudesse ser fechado. Ao menos era assim que pensava, não imaginava que nunca havia sido abandonado por ela. 

Tanta coisa para dizer, coisas que apenas ela entenderia, e mesmo assim, não conseguia se mover. Imaginava a reação dela ao ver o quanto ele havia mudado nesse tempo, o quanto ele amadurecera. Não sabia se ela o aceitaria, mesmo implorando. Deus! Talvez ela nem o reconhecesse mais! Teve seus devaneios interrompidos pelo clique da porta:

- Não vai entrar? -simples, direto e sorridente.
- É...é...équetantacoisaaconteceue...
- Eu sei. Por que você não entra e a gente toma uma taça de vinho enquanto você me conta tudo que aconteceu? -como vivera sem ela todo esse tempo?-. Entra, estava te esperando.

*
Como é bom entrar em casa e perceber que nada mudou. Todas as minhas ideias ainda no mesmo lugar, protegidas da ação do tempo e do envelhecimento. Sei que muitas foram as vezes que prometi voltar a escrever e deixei a ideia morrer no pensamento. Que dessa vez não hajam promessas, apenas a certeza de que preciso escrever para me sentir vivo, tanto quanto as minhas crônicas precisam de mim para viver.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Cupcakes imaginários

Toda vez que vou visitar minha sobrinha ela me chama pra brincar de fazer bolo, mas não é só porque ela é menina que gosta de brincar disso. Minha irmã mais velha, também tia dela, faz cupcakes e ela deve ter se interessado enquanto observava. Não importa o lugar ou a hora, ela sempre faz bolinhos imaginários pra todo mundo, inclusive pra "papi" que está do outro lado do mundo. Apesar de não se importar com o lugar, quando vou visitá-la na escola, ela sempre corre pra casinha que tem um fogãozinho. Hoje não foi muito diferente.

Não a via há quase duas semanas. Estava ansioso pra ver o quanto ela havia crescido e se desenvolvido. Além de ter crescido uns vinte centímetros, agora está mais comunicativa. Porém, assim que me viu, fez o que sempre faz quando vou na escolinha: correu com um sorriso enorme no rosto, me deu um abraço, segurou minha mão e disse que queria "brincar de bolo". Como não resisto aos pedidos dela, deixei que me guiasse até a casinha. Lá, mandou que eu esperasse sentado do lado de fora, entrou e sentou no banquinho perto do fogão.

- Lin, vai fazer bolo pra quem hoje?
- Pra tio Diegooo!
- Então faça que eu vou esperar aqui.

Ela mexeu nas panelas por alguns instantes e estendeu o braço na minha direção com a mão fechada quando terminou.

- Aqui!
- Bote na minha mão preu comer, amor.
- Não. - respondeu puxando a mão para perto do corpo.
- Não? Mas o bolo não era pra tio Diego?
- É.
- Então por que você não quer me dar?
- O dinheiro, tio Diego.

E a espertinha tem só dois anos. Ainda bem que ela também aceita dinheiro imaginário como pagamento.

sábado, 30 de julho de 2011

Dia dos namorados

Mês passado foi dia dos namorados e nada de diferente apareceu aqui no blog, mas algo inusitado ocorreu no dia. Algo um tanto vergonhoso para mim, divertido para as crianças, diferente para os que ali estavam e especial para a minha namorada. Produziu efeitos diferentes em cada um dos que, de alguma forma, acabaram se envolvendo e, com toda certeza, ficará marcado na memória de muita gente.

Meu presente do dia dos namorados poderia ser considerado normal se fosse dado por outra pessoa, mas não por mim. Pela primeira vez, depois de vários namoros, iria dar e usar um anel de compromisso. Como esse seria um momento histórico na minha vida, resolvi que não deveria simplesmente me ajoelhar ou entregar assim, sem mais nem menos. Bolei todo um plano, liguei para várias pessoas e procurei muitas lojas. Tudo em segredo, sem deixar pistas. Estava tudo planejado e quase tudo pronto quando recebi uma notícia que mudaria muita coisa.

O aniversário do primo dela ia ser no domingo, dia dos namorados. Lá eu iria fazer uma surpresa para ela, mas o aniversário foi adiado porque disseram que comemorar antes dava azar. Azar pra mim,né?! Na mesma hora, bolei um outro plano que, no começo, pareceu impossível. A autorização que precisava do shopping me foi negada, regras da empresa. Para a minha sorte, Aracaju é uma cidade relativamente pequena e funciona na base do cqc: conhecer quem conheça. Com apenas uma ligação, superei o último obstáculo. Agora era só correr pro abraço. Literalmente.

Quem passou pela praça de alimentação nova do Shopping Jardins no dia 12/06/2011 deu de cara com uma pessoa fantasiada de coelho. Esse coelho era eu. É, coelho. Nada a ver com o dia dos namorados, mas era isso, a Hello Kity ou a Moranguinho. Fiquei na frente da lojinha de balas, assim, pensariam que eu trabalhava lá. Durante duas horas, fiquei dentro de uma fantasia que mais parecia uma estufa. Dancei e brinquei com quem passava, coloquei crianças no colo e tirei fotos, distribuí beijos e abraços, minha namorada passou por mim duas vezes e não me reconheceu. Me diverti e aproveitei todo o conforto que o anonimato me proporcionava.

Foi quando vi minha namorada e os meus cúmplices sentados, que peguei o bouquê que estava escondido e a caixa do anel e fui pulando e dançando até onde eles estavam, me ajoelhei, tirei a cabeça da fantasia e entreguei os presentes. Enquanto a praça de alimentação inteira batia palmas, filmava e tirava fotos, e ela resolvia se sorria ou chorava, perguntei se estava disposta a me aturar pro resto da vida. E não é que ela aceitou?

Algumas pessoas vieram nos dar parabéns e nos desejar felicidade, uma mulher me perguntou se "o coelhinho não tinha rabinho por que já tinham comido", uma adolescente bateu no namorado por não ter recebido o mesmo presente, as crianças não queriam mais saber de mim e a minha namorada queria me agarrar e não soltar nunca mais. Depois de tudo o que passei, ali sentado, olhando todas aquelas pessoas, todos aqueles casais, imaginei todas as histórias que ali se encontravam e depois em todas as histórias que se espalhavam pelo planeta naquele momento. Concluí que boa parte delas não seria contada no ano que vem pelos mais variados motivos. Desejei que a minha não fosse uma delas e sorri.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Apenas mais uma de amor (11)

Vontade mundana que desperta,
Frente à presença da desconhecida.
Do experiente a alma devora,
Da inocente a mente aturdida.

Diante do pecado que aflora,
Reage antes que mane sentimento:
Fecha as portas para a tentação,
Foge da coisa de momento.

Exorcizado o medo da ilusão,
Acredita o cavaleiro que tem o controle.
Enganava-se pois tola não era a donzela,
Que protegia o seu coração na torre.

A mão que avança sem cautela,
Deixa a morte levar um pedaço.
O luto que não impede a luta,
A vitória com a ajuda do acaso.

Escapa da boca a paixão sem culpa,
Seguida do pedido de namoro planejado.
A busca da perfeição que promete,
Acompanhada pelo amor elucidado.

Amor pelo olhar que mesmo calado conhece,
Acostumado pelas manias do cúmplice.
Pelo sorriso por baixo do lábio carnudo,
Pelo corpo que ao dele moldava-se.

Abrem-se as cortinas após o prelúdio,
Mostra o destino seu melhor trabalho.
Do final da peça, os dois sabem nada,
Assistirão com calma, ato por ato.

Metade de um ano que se passa,
Pelo caminho fica o amor escrito.
Fruto de mentes ensandecidas,
Do desejo outrora proibido.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Apenas mais uma de amor (10)

O frio do inverno começava a se fazer presente, mas o clima permanecia agradável. O céu estava azul depois de uma noite inteira de forte chuva. Crianças jogavam bola em um campinho próximo enquanto pessoas de diferentes idades caminhavam pela rua de paralelepípedo, todas indiferentes à minha presença, exceto a única que fazia diferença para mim. Estava tudo acabado.

Estava tudo terminado. Dois meses de conversas até o galo cacarejar e o dia nascer, de mensagens de boa noite e apelidos sugestivos. Era eu Maior Problema e ela Dois Foras, apelidos que não fariam mais sentido algum. Não sabia nem por onde começar a esquecer, fazer de conta que aquilo tinha sido uma ilusão. Talvez até tivesse sido e só estava descobrindo isso agora. Dançar sem música no meio da rua na tentativa de conquistá-la parecia tão surreal naquele momento quanto no dia em que realmente aconteceu. Grande loucura, porém, foi o que despertou algo dentro dela. Bom, não iria importar mais. Finis, finito.

Ela me viu com outra, vi que ela tinha visto. Se tivesse pensado um pouco, não teria feito o que fiz. Não fosse o homem que sou, teria culpado o álcool, mas correria o risco de não ser amparado por ele agora que precisaria afogar as mágoas. O amor que crescia fora estancado pela minha burrice apenas. Aqueles lábios carnudos não mais seriam meus, o castanho esverdeado dos meus nunca mais encontrariam o castanho azulado dos dela, seus sorrisos não encontrariam graça nas minhas palavras, seus cabelos não esvoaçariam no banco do passageiro, seus quadris rebolariam no meio daqueles carniceiros sem proteção e as minhas mãos teriam que se acostumar sem as suas coxas de alabastro. Não por falta de tentativa, contei a história e pedi desculpas, fui burro e insensato. Sorte temos nós, os pecadores, que não esperam perdão. Ponto final.

*
Deitados na minha cama, abraçados, conversamos sobre como a intensidade fala mais alto que o tempo. Os cinco meses de Cronos que parecem cinco anos de Afrodite. A ordem que surgiu daquele caos não fora prevista e nem estava clara para nenhum de nós. Tudo fica bem quando acaba bem. Ela estava ali e eu quero que ela fique. Sei que errei, mas errei mais feio ainda quando pensei que aquele ponto seria final. Ponto continuando.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Já é Natal

Foi em Dezembro do ano passado que fiz um post sobre o bom e velho amigo secreto. O tempo passou tão rápido que já está na hora de falar sobre o Natal de novo. Calma, nada de post sobre amigo secreto de novo. Afinal, presente de grego, só na festinha do dia vinte e quatro.

Estamos prestes a completar a primeira década do segundo milênio depois de Cristo aqui no nosso planetinha azul. Se você tem um emprego correto, por pior que seja ele ou o seu chefe, você já deve ter recebido o seu décimo terceiro ou pelo menos já pensou no destino que ele terá. Como você não deve ser o Eike Batista, mas se for aceito doações, esse dinheiro extra chegou pra aliviar a sua situação. Com ele você poderá quitar as dívidas que já fez comprando presentes para poder adquirir, adivinhem, mais presentes. Quem se importa? É Natal mesmo e você só pensará nisso depois do Carnaval quando vencerá a primeira parcela.

A ideia de trocar presentes no Natal deveria ter concorrido ao Nobel de economia. Ela revolucionou o mundo. Nós temos o dia das mães, dos pais, das crianças e muitos outros, entretanto, todos eles homenageiam um grupo específico da sociedade. Menos o Natal. Não importa se você é alto ou magro, bonito ou feio, doente ou saudável, católico ou evangélico, todo mundo ganha presente. Até as pessoas que você não gosta ganham presente. Veja se alguém esquece de mandar um agrado para a sogra. Esquece nada, até porque, a ceia é na casa dela e você nunca sabe com o que é que ela recheia o peru. Porém, estamos tão preocupados com que iremos ganhar de presente que acabamos esquecendo do verdadeiro espírito da coisa toda.

Seu pai foi tomar todas com os seus tios na cozinha, sua mãe sentou do seu lado e não para de falar mal da roupa dos outros, seu irmão está desde a hora em vocês saíram de casa dizendo que o presente dele vai ser melhor e mais caro que o seu, e, você, pobre alma, está esperando ser libertado desse calvário para sair e tomar todas com os seus amigos, falar mal dos outros e contar vantagem sobre os seus presentes. É nisso que o Natal está se transformando. São raros os jovens que querem passar a data com a família e depois ir para a cama esperar o bom velhinho chegar. As cenas de famílias enormes reunidas ao redor de fartas mesas ficaram para os comerciais de chester. Os papais noéis que antes eram aguardados nas ruas, agora são meros artigos de decoração e propagandas baratas. A culpa disso é toda nossa. Quem mandou deixarmos de acreditar no velhinho barbudo que levava alegria para todas as crianças do mundo?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Apenas mais uma de amor (8)

Estava terminando de escovar os dentes quando seu irmão mais novo entrou. Ele já o observava desde o momento em que saira do banheiro e fora para o quarto se arrumar. O dia fora duro. Tinha acabado de escrever uma carta de revolta à sua mãe. Haviam discutido mais uma vez, mas, por sorte, seria a última. Ela também estava de olho nele.

Olhou para o espelho antes de cuspir a espuma e notou o pequeno ser amarelo que se esgueirava por detrás dele. Enquanto limpava a boca, ele colocou-se ao seu lado e começou a olhar de canto. Olhou-o da cabeça aos pés, ainda desconfiado das reais intenções do moleque. Quando voltou ao espelho, percebeu que os olhos dele estavam vermelhos como os seus. Resolveu perguntar o que havia acontecido, mas ele não parecia querer responder. Não é nada. E é claro que não seria nada. Ele não diria o que estava lhe preocupando se o que lhe preocupava era o seu irmão mais velho. Tentou outra abordagem: abraçou-o e disse que o amava. Só não esperava que ele fosse chorar.

- Calma, cara, seu irmão volta já. - Disse o mais velho enquanto fazia carinho e tentava conter as lágrimas que queimavam os seus olhos.

- Achei que você fosse embora e que não fosse voltar mais nunca. - parou para soluçar e continuou.- Não quero que você vá embora.

- Seu irmão está aqui e vai continuar do seu lado pra sempre. Promete que não vai me abandonar também?

A resposta saiu na forma de um soluço, mas isso não importava. Eles estavam juntos agora e continuariam juntos mais tarde. Houvesse uma promessa ou não. Ele era mais do que um irmão, era um filho que ele cuidaria para o resto da vida. Vê-lo daquele jeito, fez com que ele lembrasse do que era realmente importante. Abraçou-o mais forte ainda e deixou-o melar a sua camisa com catarro:

- Amo você mais do que a mim porque seu irmão te quer bem como se você fosse meu próprio filho.

Soltou-o e sorriu. Ele estava decidido, não seria igual ao seu pai. Sabia demonstrar seus sentimentos, não seria indiferente. Eram parecidos fisicamente e tinham o mesmo temperamento, mas eram pensamentos e ideais diferentes. Seu irmão nunca o deixaria esquecer disso.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ENEM

No último final de semana foi realizado em todo território brasileiro o ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio. Milhões de estudantes saíram de suas humildes e aconchegantes residências e dirigiram-se até os seus respectivos locais de prova. Alguns foram a pé, outros foram de carro, outros de ônibus, outros de moto, outros de barco, outros de carroça e até mesmo de bicicleta. Nem todos chegaram à tempo de entrar, mas com certeza não foi por falta de aviso.

Em todos os jornais, revistas e programas de televisão, foi noticiado tudo sobre o exame. Mesmo quem não ia fazer a prova sabia quais deveriam ser as medidas tomadas para evitar surpresas no dia. O vendedor de água e canetas que estava na porta do colégio em que fiz prova sabia que canetas azuis não seriam permitidas, do mesmo jeito que o melhor é entrar logo para não ficar do lado de fora. Por que os candidatos não sabiam? Não chegou a tempo? Paciência, meu amigo. Mais sorte no próximo ano. Agora, a pessoa chega alguns minutos depois do horário e quer ter o mesmo direito de entrar que as que resolveram sair cedo de casa e ficaram lá sem fazer nada sentados esperando. Depois aparece no Jornal Nacional em prantos porque perdeu a prova. Acho é pouco.

Como se não bastasse a confusão que já fizeram com o horário, agora eles querem anular o coitado do ENEM. Vamos aos fatos. Alguns alunos que receberam a prova amarela, encontraram uma questão com o número trocado e não encontraram uma outra. O problema foi que quando perceberam isso, as provas foram trocadas por provas amarelas sem defeito ou por provas de outra cor, mas alguns já tinham marcado as questões ou a cor da prova no cartão-resposta. Ponto.

Quem em sã consciência sai marcando um gabarito sem antes conferir se todas as questões estão enumeradas corretamente e em seu devido lugar? Minha gente, qualquer papel impresso é digno de falhas, sejam elas operacionais ou técnicas. A minha prova foi a amarela e, adivinhem, ela estava defeituosa. Nem por isso cheguei em casa me doendo porque fiz uma cagada por "culpa" do MEC. Além do que, foi todo mundo avisado que era pra marcar na ordem das questões e não pelo que estava escrito no gabarito. Aí o cara marca errado e quer que anule? Não mesmo.

Eu podia ter ido à praia, estudado pras provas que tenho amanhã, saído com a minha namorada, enchido a cara no aniversário do meu primo, ido pro show do Asa, curtido um cinema, dormido o dia inteiro, lido um livro ou qualquer outra coisa que eu quisesse, mas não, ao invés disso paguei R$35,00, acordei cedo, para um final de semana, para fazer uma prova que preferia não fazer. Depois de ter enfrentado um total de oito horas de prova, me dizem que a prova não vai ter validade. Quer dizer que, para não afetar um pequeno grupo que fez burrice porque quis, eu e mais outros milhões vão ter que sair no prejuízo? Nem a pau, Juvenal.

Não vou fazer mais prova nenhuma e nem perder outro final de semana. Pelo menos tenho a certeza de que não sairei de mão vazias. Ou saio com minha pontuação do ENEM ou com o dinheiro que vou ganhar do processo por danos morais. Se bem que estou precisando mais de dinheiro do que de pontos. Hum...

sábado, 9 de outubro de 2010

Primeiro ano

Sabe quando você esquece a data do aniversário de namoro e a sua namorada fica puta de raiva sem nem querer ver a sua cara? Então você vai e tenta fazer de tudo para compensar a besteira que fez. Manda flores, compra ursinhos e chocolates, faz cartas, poemas e até mesmo uma serenata. Pode ter certeza que ela ainda irá passar isso na sua cara algum dia. Mulheres nunca esquecem as coisas que você esqueceu. Eu esqueci a data do aniversário do Embriaguez Verbal.

No dia 04/10/2009, o blog foi criado e teve a sua primeira postagem. Desde esse dia, ele já me deu alegrias e tristezas, mas sempre lembrarei que foi amor à primeira vista. Em um ano, tantas coisas aconteceram, tantas coisas mudaram, mas nós permanecemos aqui juntos. Assumo que, algumas vezes, pensei em jogar tudo pro alto e deixar para lá. Por que seguir com algo que não me traz nada? Eu estava errado sobre isso. Querem ver o porquê?

Durante esse um ano de vida, o EV obteve 528 comentários, divididos em 144 posts, contando com esse. Isso dá uma média de 3,66 comentários por post. Se existem tantos comentários, é porque pessoas vieram até aqui ler. Foram 7923 pessoas até agora, divididas em 371 dias de acesso, o que representa uma média de 21,35 visitas diárias. Sendo o dia mais visitado o dia 08/08/2010, graças ao post que eu fiz em homenagem ao meu pai. Nesse dia, foram mais de 100 acessos em menos de uma hora. Essa gente toda veio não só de todo o Brasil, mas também de todos os outros continentes, com exceção da Oceania. Acho que eles não tem internet por lá.

Sem contar no quanto eu lucrei. Durante todo esse tempo, já consegui lucrar R$0,00 reais. Nunca ganhei um centavo sequer. O meu pagamento é ver que vocês comentaram, é ver que tem mais de dois visitantes online, ver que vocês chegaram até aqui para ler o que eu escrevi. Obrigado por todo o carinho de vocês. Que venha mais um ano!

domingo, 8 de agosto de 2010

Herói

De que é feito um homem?

Homens não são feitos de barbas por fazer, tímidos bigodes ou peitos cabeludos.
Não são feitos de corpos malhados e muito menos de barrigas de cerveja.
Não são feitos pelo tamanho das calças e nem pelo seu próprio.
Homens nunca serão feitos de aparência. Nunca foram.
Por mais que não pareça, também não são de ferro.

Se não de ferro, de que é feito um homem?

Não é feito de um aglomerado de células ou da valsa dos elementos químicos.
Senhas e números não fazem um homem, muito menos um hetero casal de letras.
Homens não nascem homens, se tornam.
Não são títulos, rótulos ou estereótipos, homens se fazem homem, não deixam que os outros o façam.
Você não será homem só porque enche a cara com os amigos ou fuma. Álcool e fumaça não constroem um homem.
Agora que chegamos aqui, se arrepende de algo? Não se arrependa. Homens não são feitos de arrependimento.

Ainda não me respondeu, de que é feito um homem?

Homens são feitos de derrotas vitoriosas e superação.
São feitos de sonhos, ideais e lutas.
Feitos de desejos e humanidade.
São feitos de corpo, alma e emoções.
São feitos de/por mulheres. Não qualquer mulhers, mas sim a mulher. Por elas, são capazes de tudo. Com elas e com as suas crias, são completos.
São feitos de vontade. Vontade de ter e de ser, de levantar a cabeça e continuar seguindo em frente.
São feitos de orgulho, portanto, não se preocupe em errar, apenas tenha orgulho de pelo menos ter tentado.
Homens são feitos de tempo. Não só feitos, mas também aliados.
Feitos de antíteses e metáforas, rimas e versos livres.
Se após isso, você se sentir homem, esqueça. Homens nunca saberão que são homens. Nunca se sentirão completos, mas também não deixarão de tentar ser.

Mas nem isso é suficiente para ser homem.
Um homem é feito pelo brilho dos olhos de quem o vê.
Ele é criado na mente de alguém.
É Invejado por uns e amado por outros.
Esse homem serve de inspiração.
A minha inspiração.
O meu pai.

terça-feira, 13 de julho de 2010

A falta que ela faz

Ela não voltou para casa comigo. Para falar a verdade, nem saímos juntos. Cheguei em casa só. Fui até o quarto, mas ela não estava lá também. Lembrei que ela tinha viajado enquanto eu dormia. Quando iria voltar? Estaria acordado para vê-la chegar? O que seria de mim até lá? Comecei a lembrar de toda a nossa história.

Os sorrisos e as lágrimas, os abraços e as brigas, os segredos e as confissões. Senti falta. Deu vontade de chorar, mas segurei. Não porque homem não chora. Chora sim, pelo menos, foi isso que ela me disse.

Sentei-me na cama e pensei no quanto queria que ela estivesse ali, no quanto queria que ela tivesse saído comigo e no quanto queria que tivéssemos voltado juntos. A casa parecia vazia sem ela, a noite perdera o sentido. Não imaginava que fosse sentir tanta falta assim, mas já estava preparado para isso. Um dia isso aconteceria. Melhor agora que dói menos.

Fui dormir pensando nela. Ela era a única que eu queria naquele momento. Afinal, só a minha irmã acharia engraçado o vizinho do 1002 chegando bêbado e carregado em casa.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Minha fama

Domingo minha mãe resolveu, finalmente, que iria dar uma lida no meu blog. Ela leu alguns posts e me disse duas coisas:
  1. "Não criei filho nenhum pra ser machista."
  2. "Você escreve muito bem, mas por que você só fala de sexo?"

Bom, pra começo de conversa, não sou machista e já deixei bem claro isso. Machismo é pra quem gosta de macho e ponto final. Depois, não falo só de sexo, mas ele está presente nas minhas histórias, qual o problema? Vocês se interessam mais pela história do casal escovando os dentes ou do casal transando? Se você escolheu a primeira história, é você, meu caro leitor, que tem um problema.

Relaxem, não vim aqui reclamar por vocês me acharem um machista pervertido. Vim reclamar por vocês acharem que todos os textos machistas e/ou pervertidos são meus. O post do dia dos namorados, não é meu. É fruto de outra mente estuprada: Duca. Ele foi super comentado, mas os créditos vieram para mim. Não custa nada olhar quem escreveu.

Voltamos com a nossa programação normal.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Imoral

Na época em que estudei no Colégio Ideal, uma amiga veio me elogiar por uma crônica que havia escrito ainda na época do Liceu. Papo vai, papo vem, ela acabou perguntando quem eu considerava o maior escritor brasileiro. Oras, é claro que é o Veríssimo, o filho. O cara manda bem pacas, é um excelente cronista, crítico, irônico e engraçado. Faz com que você veja a outra face da moeda.

Ela ficou calada, apenas escutando. Só tornou a abrir a boca, quando terminei:

- Agora entendo onde você busca inspiração.
- Que é isso, chego nem aos pés dele, só o considero o melhor.
- E da onde é que vem essa inspiração toda?

Poderia ter dito que vinha de qualquer lugar, irmão mais novo, do cotidiano, dos amigos, das besteiras ditas, das experiências próprias, mas depois de ter pensado por um instante, respondi:

- Vinicius de Moraes!
- Hum, não sabia nem que você gostava de poesia. É por causa dos sonetos? Já te vi escrever alguns...
- Não.
- Oxe, então é por causa das músicas?!
- Rapaz, também não.
- Então como é que um cara nem vivo tá, pode inspirar alguém?
- Põe uma coisa na sua cabeça, um cara com nove casamentos nas costas e uma vida boêmia como a dele, é inspiração pra qualquer homem que já caminhou sobre a face deste planeta.

Ela me olhou um pouco, processou as informações, deu uma risadinha e concluiu:

- Você vai me desculpar, mas essa foi uma das coisas mais machistas que já ouvi.
- Relaxe, eu entendo. Só um imoral pra entender Moraes.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Coisas Que os Homens Odeiam Que as Mulheres Saiam Para Comprar no Supermercado

Encaremos os fatos, não sou mulher. Por mais que eu tenha desperdiçado uma boa parte do meu tempo livre para pensar sobre o assunto, não consegui listar cinco coisas que as mulheres não gostam de comprar no supermercado. Porém, consegui listar cinco coisas que nós, homens, não gostamos que vocês, mulheres, comprem. Posso começar agora ou vocês pretendem continuar me chamando de machista? Obrigado!

1º Cerveja - Pra mulher, que é um ser que geralmente prefere um bom vinho ou um coquetel, cerveja é apenas cerveja. Skol é cerveja, Schin é cerveja, Heineken é cerveja, Bavária é cerveja, Brahma é cerveja, . . . , até Kaiser é cerveja. ATÉ KAISER!

A mulher chega na parte das bebidas e já vai logo atrás de promoção, compra a mais barata, claro, afinal, cerveja é tudo cerveja. Aí chega o marido cansado e estressado do trabalho, com uma vontade imensa de abrir uma latinha de cerveja e relaxar, mas quando ele abre o freezer ele dá de cara com um monte de Kaiser. É ou não é uma causa justa pra pedir o divórcio?

2º Carne Vermelha - Por que é que, a maioria esmagadora das mulheres, só sabe escolher carnes brancas? O mesmo pensamento que elas usam pra escolher cerveja, elas usam pra escolher carne: é tudo carne, ou seja, se tiver alguma em promoção, prepare-se pra comer dela o mês inteiro. E nem pense que ela vai deixar você comer uma tirinha de gordura.

3º Sabonete - Não é qualquer sabonete, só os líquidos em especial. Mulher teima em comprar sabonete líquido porque é mais higiênico pra dividir. Vocês podem até estar certas, mas será que não dava simplesmente pra comprar dois sabonetes em barra?

Toda vez que tomo banho com sabonete líquido, meu saco fica escorregadio. Podem confiar em mim, meninas: ter o seu saco deslizando pra lá e pra cá nas coxas não é legal. A suavidez do chantilly pode até ser gostosa na boca, mas nas bolas é foda.

4º Refrigerante - O refrigerante é só um pretexto para citar todas as coisas integrais,light,diet e zero que vocês nos jogam garganta abaixo. Se você quer, jóia, mas veja que você vive com outras pessoas e essas pessoas não querem entrar na sua dieta. Fora que tem mulher que compra porque gosta disso e não pra emagrecer. Em que mundo essas comidas com alpiste e os refrigerantes com adoçante são gostosos?

Bom, não vou me detalhar muito aqui porque gosto é que nem braço, tem gente que não tem.

5º Camisinha - Existem várias marcas e tipos de camisinha. Sabores, texturas e cores diferentes. Por que conchinhas vocês teimam em comprar a mais grossa e mais resistente?

Se no geladinho que tem um plástico fininho você faz um furinho pra sentir o gosto, imagine na hora do sexo. Mas não, vocês ainda querem, além de não fazer o furinho, botar num plástico mais abafado ainda. Meu Deus, camisinha é feita pra aguentar o tranco. Até nas mais finas as chances são muuuito baixas. É só colocar direitinho, relaxar e gozar.

*
Se alguma mulher quiser dar sugestões para que eu possa escrever uma lista com as coisas que vocês não gostam de comprar e/ou coisas que vocês não gostam que os homens comprem, é só deixar nos comentários que eu prometo que escrevo.

Amanhã teremos mais um "De Mulher pra Mulher", então, não deixam de dar uma checada aqui no blog. I'll be back.