Aracaju, algum dia-algum mês-2030.
15hs.
A cidade quase que completamente deserta abriga um casal de meia idade sentados sobre um grande lençol no que outrora foi o gramado do Parque da Sementeira. Outrora, pois hoje nada resta além do chão seco e das peças do que também já fora uma construtora. Sim, entre 2020 e 2021 o espaço que era do parque foi vendido para uma grande construtora que colocou ali sua sede, mas não deu certo e a empresa veio a falência alguns anos mais tarde.
Sentados ali, o casal com seus 40 e poucos anos lembravam...
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No shopping da cidade, nesse mesmo horário, a quantidade de pessoas ali presentes sufocava umas as outras na ínfima tentativa de estar num lugar fresco, um dos poucos lugares que ainda conseguiam manter ar-condicionado.
A partir do século XXI, o uso desse aparelho deixou de ser luxo para se tornar conforto, com os passar dos anos, de conforto chegou a ser necessidade e mais perto da data atual, raridade de poucos. O que acontecera é que a grande procura causara uma pane nas empresas que forneciam os produtos, e a falta de matéria-prima ajudou a criação da lei que agora vigorava permitindo que apenas locais públicos tivessem o aparelho.
Então cada vez mais pessoas se deslocavam quase que diariamente para esses locais, na tentativa de diminuir o calor que assolava a cidade, o estado, o país...o mundo. O problema é que a quantidade de gente ali não permitia que o efeito dos condicionadores de ar fosse meramente percebido...e o calor aumentava.
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Os aeroportos fechados por falta de empresas aéreas. Os poucos países que ainda se mantinham “saudáveis”, ou seja, não afetados pelas mudanças climáticas e outros problemas que deixaram grande parto do planeta morto, não aceitavam estrangeiros: tinham medo de que provocassem em seus países, suas fortalezas, o mesmo que fizeram em suas pátrias.
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De volta ao parque...o homem olhava o que um dia já fora um lago, lembrava de como eram as tardes que passava ali, olhando a paisagem, sem dar valor ao que via. Lembrou de como as coisas foram mudando, como as pessoas culpavam o governo, exigiam resolução dos problemas, mas nada faziam...ninguém.
A mulher lembrou como acharam uma grande ideia trocar o parque por uma construtora...evolução! Engano.
As coisas mudaram, pioraram, e ninguém percebeu até que já era tarde demais. Nada agora podia ser feito.
Deitaram-se. Sentiram o rosto queimar pelo sol forte. A temperatura de 53º não permitia a menor brisa. Poucos segundos com as costas no chão sentiam a pele queimar. Era o fim. E a culpa...era deles. De todos.