sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ditadura militar

Quem nós somos já não importa, nem o quando e nem o onde. O que importa é que nos tiraram a identidade. Somos apenas mais uma das mazelas julgada pela sociedade. Em torno de nós um mito foi criado. Fomos julgados um bando de qualquer, desajustados, apenas mais um punhado de rebeldes sem causa.

Cada um de nós é um número, uma simples sequência pela qual nos reconhecem. Como se não bastasse as nossas identidades, tiraram também o nosso direito de lutar. Não podemos aceitar. Não, não. Pequeno exército revolucionário formado pelos exilados. Réus condenados sem julgamento. Não, não. Munidos do verbo, lutando para vencer o sistema. Ordem, progresso e prisão.

Filhos da Sociedade, criados por Ninguém. E retorna o filho pródigo, mas sua Mãe não o aceita de volta. Discórdia. Acha que cada um de nós é apenas mais um “Meu Guri” à espera do destino. Um destino único e comum a todos, mas com caminhos diferentes, impostos por ela. Queremos ter a opção de mudar de direção ao invés de continuarmos seguindo rumo a nossa morte certa e sofrida.

Se somos todos iguais, se somos todos irmãos, por que só os militares tomam conta da nação?

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Tipos de aluno - O calouro

Sempre pensei na diferença entre universidade e colégio como a relação entre a floresta amazônica e a mata atlântica: ambas são florestas tropicais, mas a biodiversidade que aquela apresenta é maior. Por mais que você encontre os mesmos elementos, alunos, professores e salas, só depois de aprovado no vestibular é que você perceberá a variedade de pessoas e lugares existentes. Depois que você conhece tudo isso, mesmo assim você ainda se sente perdido. Parece o mesmo lugar, mas as coisas mudaram. Até você se acostumar, parabéns, você será um calouro.

Ninguém quer ser calouro, mas acontece. É uma fase de transição na qual se aprende como as coisas funcionam de verdade. Mesmo que você passe anos lá dentro, você ainda poderá ser um. Depende das atitudes e decisões que você toma. Para começar, esqueça tudo o que você aprendeu na escola, eles mentiram para você. Não te prepararam para a universidade, apenas para o vestibular.

O que odeio neles é esse pensamento deturpado, oriundo da lavagem cerebral causada pelo vestibular. Todo calouro acha que é ele quem faz as notas e que os livros e exercícios são as únicas ferramentas que o ajudarão a fechar a prova. Isso não existe na faculdade. Será que eles nunca receberam a maldita corrente das "Coisas que aprendi na faculdade"? Sem falar que por conta dessa mentalidade, os veteranos que pegam matérias com eles sofrem junto. Isso porque calouro tem a mania de querer fazer tudo perfeitinho e de querer agradar. Se o professor falar que só vai dar aula se vier alguém, pode ter certeza que eles estarão lá e você ficará como o vagabundo da história.

Depois ainda ficam querendo saber o motivo de serem tão melados no dia do trote.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Pensamentos diários (2)

- Seja esperto: na hora de escolher entre uma bicicleta e um irmão, fique com a bicicleta e peça um primo.

- Uma produtora brasileira transformará em filme um livro da Zibia Gasparetto. "Ninguém é de ninguém" foi comprado pela Brasileirinhas. Uma orgia espiritual.

- O que você faz nas calouradas e festas da faculdade, ecoam no seu vídeo de formatura.

- As pessoas não querem saber quem morreu, apenas se a data vai virar feriado.

- Perceba: em açougues, leilões, e churrascarias, sempre tem um ser que você não sabe se é gente ou boi.

- O Bolsonaro foi condenado por julgas as opções dos outros pela opinião pública que, por sua vez, julgou as opções dele.

- A união de uma turma é inversamente proporcional ao tempo de curso elevado ao número de colegas que perderam matéria.

- Estagiários são como programas da Microsoft: identifica um problema que ele causou, diz que ele mesmo vai resolver e volta logo em seguida dizendo que é melhor chamar um especialista.

- Não conseguir dançar é o de menos quando se tem dois pés esquerdos. Ruim mesmo deve ser o dobro de azar todos os dias.

- Faculdade é que nem sexo: não é porque você tem conhecimento teórico que será bom na prática.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Conhecimento: agradeça por ter



Pela falta de tempo, dois comentários apenas:
  • Com o Lula me consertando, eu preferia comer as mamonas e me matar.
  • Álcool também não é bom beber, mas vê se ele cospe.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Tempos de escola - Bullying

Na quarta série, hoje quinto ano, eu era um menino franzino e magrinho, assim como boa parte dos meus colegas. Entretanto, alguma coisa saiu muito errada no final daquele ano que eu voltei para a quinta série mais cheinho e com as bochechas mais arredondadas. Assim fiquei até a oitava série, quando comecei a gostar de uma colega e emagreci por vaidade.

Naquela época, primos, amigos e até mesmo o meu pai, me sacaneavam quando tinham a oportunidade. Nunca cheguei a ser obeso e nem fiquei muito acima do meu peso, mas isso não importava muito. Pros meus amigos eu estava em fase de crescimento lateral, para as minhas tias eu estava fofinho e, pro meu pai, gordo só prestava boi e vaca. Assim como eu, vários outros passavam pela mesma coisa diariamente. Ninguém nunca foi agredido fisicamente por ser diferente e, até onde eu saiba, ninguém teve danos psicológicos. Pelo contrário, de tanto me encherem o saco, emagreci e emagreci até mais do que o necessário, mas coisas mudaram e até a brincadeira mudou de nome. Virou até crime.

Não acredito que as coisas tenham mudado muito desde o meu tempo. Meu irmão mais novo passa pelo mesmo que passei e com um bônus: eu. Ao invés de ficar trancado dentro do quarto chorando deprimido e escutando restart enquanto pensa em matar metade da família, ele vai pra escola e se diverte como toda criança normal. O problema não está nas relações entre as crianças, mas nas relações entre pais e filhos:



Pais superprotetores estão arruinando geração atrás de geração. Eles tomam as dores do filhos e controlam tudo que eles fazem. Se a criança briga com um amigo, a amizade tá proibida. Se botarem apelido nela, tem que contar pra "tia". Será que não percebem que isso só piora? Eles sempre se resolvem entre eles, e, se não se resolverem, aí sim deve ser procurada a ajuda de um adulto. Tanto se entendem que, na primeira série, briguei com um colega que hoje é como um irmão pra mim. Foi o meu pai que me ensinou as duas regras básicas de sobrevivência que me levaram, sem traumas, até a sexta série:
  • Nunca arrume confusão.
  • Nunca volte apanhado pra casa.
Era olho por olho e dente por dente, mas pelo menos a gente brincava em paz.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Classificar pra quê?

Negro, branco, amarelo, mulato, albino, caboclo, indígena e pardo. Jovem, adulto e idoso. Capitalista, socialista e anarquista. Evolucionista, criacionista e panspermista. Homo, bi e trisexual. Americano, asiático, europeu, africano e oceânico. Católico, muçulmano, budista, evangélico, ateu, hindu, agnóstico, mórmon, evangélico, judeu, testemunha de Jeová, umbandista e wicca. Rico e pobre, alto e baixo, gordo e magro, doente e sadio, careca e cabeludo, sortudo e azarado. Deus é onipresente e reside em cada um de nós. Isso nos faz iguais em todos os sentidos. Não importa como você enxerga as outras pessoas, seres humanos serão sempre seres humanos, e, o que nos une, é o medo da morte.

Alguns acreditam em vida após a morte, outros em reencarnação, em céu e inferno, em Dia do Julgamento e outros não acreditam em nada disso. Cada um com o seu modo de alcançar as graças do seu salvador. Porém, importa tanto assim saber o que vai acontecer com a nossa alma depois que ela abandonar o nosso corpo? Ou melhor, importa tanto julgar o que é certo e o que é errado e condenar o próximo por ele ser, pensar e agir diferente?



O problema do mundo é a intolerância e o fanatismo, afinal, todas as religiões têm o amor ao próximo como salvação. O caminho que você toma não importa, pois, todos levam ao mesmo lugar. Amando mais uns aos outros, sem pensarmos em quem nos aconselhou a fazer isso, dando valor à mensagem e não ao mensageiro, alcançaremos a tão sonhada paz.

"Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus; e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus (João, 1-4)".

terça-feira, 5 de abril de 2011

Tempos de escola - Dissertações

Todos os anos, na Amazônia, milhares de hectares de floresta são derrubados ou queimados de forma ilegal. A madeira derrubada irá para a indústria e, as áreas queimadas, serão transformadas em pastos. De um jeito ou de outro, a fauna e a flora originais serão destruídas. E a população local, como fica?

Enquanto grandes fazendeiros e grandes empresários ganham rios de dinheiro sem se preocupar com a floresta, a população local tenta proteger a mata, mesmo vivendo na miséria. Esses guardiões da mata, vivem do que a natureza oferece e com menos de dois reais por dia. Acima de tudo, eles exploram a floresta sem destruir, por que aqueles não conseguem?

As derrubadas devem ser feitas após um longo estudo da área a ser explorada, pois, só assim o reflorestamento será feito da forma correta. Para facilitar os estudos, nada melhor do que contar com a ajuda de quem conhece a região: a população local. Empresas como a Natura estão aí para provar que essa união realmente funciona. Ela forma cooperativas com os moradores da região para extrair produtos naturais e, depois, divide o lucro com eles.

Tudo aquilo que é desmatado, deve ser devolvido posteriormente para que não ocorra um desequilíbrio na região. A Amazônia é uma das nossas maiores riquezas, mas é uma riqueza que deve ser aproveitada de maneira consciente.

terça-feira, 29 de março de 2011

Pensamentos diários

- Moisés levou 40 anos pra chegar na terra prometida porque era homem, se fosse mulher ele tinha orado e pedido informações.

- A Maria Bethânia recebeu autorização para captar R$1,3 milhão para o seu blog. Até que saiu barato, apenas R$ 1.00 por ano de vida.

- Reflita: Por que todo professor diz que as notas só dependem do aluno se é ele que coloca a nota.

- Faculdade é como religião, te falam mentiras para que você compreenda mais fácil.

- A vida social de um aluno de engenharia civil é inversamente proporcional ao período em que ele se encontra.

- "Agora só quem chupa sou eu" - Wesley após dar uma conferida no twitter dos fãs.

- Na UFS, até os arrombadores de carro são de baixa qualidade. De duas uma, reitor, ou melhora a segurança, ou qualifica os marginais.

- Não se sente mais nervoso ou preocupado com o que estão pensando ao seu respeito quando você entra na fila do caixa com uma Playboy? Sente saudades daquele friozinho na barriga? Já se sente o machão? Sai pra comprar a com o ensaio da Ariadna que eu quero ver.

- O médico foi dar a notícia ao jovem de que ele havia ficado paralítico e aproveitou para recomendar um ótimo livro de auto-ajuda: Johnnie Walker.

- Fazer da cunhada, amante, é uma das formas de ter duas mulheres pelo preço de uma sogra. A outra é um ménage à trois com siamesas.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A culpa não é nossa

Nada está tão na moda quanto a preservação do planeta. Tudo que acontece no mundo é culpa do aquecimento que, por sua vez, dizem que é culpa nossa. Os terremotos ficaram mais fortes e constantes, enchentes e tsunamis começaram a se tornar mais frequentes e o calor é cada vez maior. Os cientistas se dividem, mas não chegam a uma conclusão: somos responsáveis ou não? Enquanto eles discutem entre si, escolhi no que acreditar:


A prepotência e a arrogância nos trouxeram até aqui.

domingo, 13 de março de 2011

Sete pecados - Orgulho

Nasci quando o primeiro ser vivo morreu e viverei enquanto houver vida. Nada escapava de mim, tudo que respirava estava fadado a encontrar-se comigo. Não importava quanto tempo iria levar, todos seriam levados por mim até o Styx. Não existia ser vivo que não temesse mais a mim do que a Deus, eu era o mais adorado. Lúcifer era um tolo, não cometi o mesmo erro que ele. Ser o Todo Poderoso nunca foi o meu objetivo, era maior que Ele. Animal ou vegetal, a criação tornava-se efêmera nas minhas mãos, principalmente os humanos. Mortais feitos à Sua imagem e semelhança. Todos eles eram tementes ao desconhecido. Eram. As coisas mudaram.

No meu ramo, existe apenas uma regra que não pode ser quebrada. É ela que mantém a ordem do mundo no seu devido lugar. Se um nome aparece na lista, ele deve ser apagado. Para isso, não importa quanto tempo leve ou o método utilizado, contanto que só o encontre cara a cara, apenas uma vez. Ninguém se encontra comigo e sobrevive. Correm, fogem, tentam se esconder, em vão. Sou onipresente e onipotente. Lenta ou rápida, com ou sem dor, vermelha ou seca, tanto faz, eles devem morrer e eu tenho que me certificar disso. Não fosse a minha soberba, a minha relação com a criação, teria permanecido imutável.

Quando os três nomes apareceram, pensei que fosse ter um serviço simples. Não notei que caminhava para o meu abismo. Decidi levá-los de forma simples, nada muito trabalhoso. Crucifiquei-os no Gólgota, judeus e romanos como testemunhas. Esperei ao fundo, até que o do meio deu sinais de que não aguentava mais. Proferiu suas últimas palavras e olhou-me nos olhos. Ele sabia quem eu era, todos sabem, todos sentem quando encontram comigo. Vi que ele sorria para mim, mas não dei valor. Cada um expressa o medo da forma que quer. Fez a parte dele quando deu o último suspiro, fiz a minha quando caminhei até ele e perfurei-o com a minha lança.

Três dias depois, o nome dele reapareceu na minha lista. Iezus Nazarenus estava vivo novamente. Ele me vencera, morreu como mortal para que eu não notasse. O filho do Criador veio com a missão de mostrar quem estava no poder. Os humanos perderam o medo, tornaram-se tementes à Deus. Levá-los não é mais tão prazeroso, arrependem-se e confortam-se com as suas orações. Porém, as palavras estão perdendo o sentimento que havia por trás delas. As criaturas estão próximas de me vencer. Me dão mais trabalho para levá-los embora e, quando não mais conseguir levá-los, a quem temerão?